A necessidade de consolidar a paz em Moçambique através do diálogo, da inclusão, da justiça, da participação cidadã e do respeito pela diversidade foi destacada durante a mesa-redonda de disseminação do documentário “Processo de Paz e Reconciliação em Moçambique: Lições e Perspectivas”, realizada hoje, 18 de Agosto, no Campus da Universidade Joaquim Chissano, em Maputo.
O encontro reuniu docentes, investigadores, estudantes, representantes de instituições públicas, organizações da sociedade civil, líderes comunitários e religiosos, bem como outros actores interessados na promoção da paz e da coesão social. A actividade incluiu a exibição do documentário e um debate sobre as lições dos processos de paz em Moçambique e os desafios para a construção de uma paz sustentável.
Na abertura, o Vice-Reitor da Universidade Joaquim Chissano, Carlos Chenga, defendeu uma compreensão mais ampla da paz, que ultrapasse a simples ausência de conflitos e violência. “A paz não deve ser entendida apenas como a ausência de conflitos ou de violência, mas como um processo contínuo que exige diálogo, inclusão, justiça, reconciliação, participação cidadã e respeito pela diversidade”, afirmou.
O Vice-Reitor destacou igualmente a importância de envolver os jovens e as mulheres nos processos de diálogo, prevenção de conflitos, reconciliação e desenvolvimento. “O futuro de Moçambique depende, em grande medida, da capacidade de envolver estes segmentos como actores activos nos processos de diálogo, prevenção de conflitos, reconciliação e desenvolvimento”, sublinhou, defendendo também o papel da cultura, da educação, da cidadania e do conhecimento na construção de uma sociedade mais tolerante, inclusiva e resiliente.
Por seu turno, o Presidente da FOSMA, Elias Langa, considerou que o documentário constitui uma oportunidade para renovar a confiança entre os moçambicanos e fortalecer as instituições democráticas. “Este documentário representa muito mais do que um encontro entre actores militares e ou guerrilheiros de partes opostas; representa sim uma oportunidade histórica para renovar a confiança entre os moçambicanos, fortalecer as instituições democráticas, consolidar a cultura de paz e construir consensos duradouros sobre o futuro do nosso país”, afirmou.
Elias Langa chamou ainda atenção para os factores que continuam a fragilizar a confiança entre os cidadãos e as instituições, com destaque para o desemprego juvenil, as desigualdades sociais, a vulnerabilidade das comunidades, a desinformação e os discursos de intolerância. “Ainda existem jovens sem oportunidades de emprego digno, comunidades vulneráveis, desigualdades sociais, desinformação, discursos de intolerância e factores que podem fragilizar a confiança entre os cidadãos e as instituições”, alertou.
Na sua intervenção, a Coordenadora de Programas do Instituto para a Democracia Multipartidária, Fidalia Maculuve, afirmou que a exibição do documentário deveria ser entendida como ponto de partida para um diálogo mais amplo sobre a paz, a reconciliação e a coesão social. “Esta sessão não pretende apenas apresentar um documentário. Pretende, sobretudo, criar um espaço de diálogo e de aprendizagem colectiva, onde diferentes perspectivas possam contribuir para aprofundar a compreensão sobre os processos de paz e identificar caminhos para o fortalecimento da reconciliação nacional”, declarou.
Fidalia Maculuve acrescentou que o documentário reúne testemunhos de protagonistas dos processos de paz, académicos, líderes religiosos e comunitários, representantes da sociedade civil, jovens e cidadãos de diferentes regiões do País. A produção procura preservar a memória colectiva e estimular uma reflexão crítica sobre os avanços alcançados, os desafios persistentes e as perspectivas para a consolidação de uma paz duradoura em Moçambique.
A mesa-redonda foi organizada pelo Instituto para a Democracia Multipartidária, em parceria com a Universidade Joaquim Chissano, o CEEI e a FOSMA, no âmbito do Projecto Pro-PAZ – Cultura para a Promoção da Paz, Reconciliação e Coesão Social, co-financiado pela União Europeia e implementado pelo consórcio constituído pelo CISP, IMD, LeMuSiCa e Associação IVERCA.
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