O respeito pela diversidade religiosa, o diálogo e a participação das mulheres e dos jovens são essenciais para fortalecer a paz e a convivência democrática em Moçambique, defendeu o Director Executivo do Instituto para Democracia Multipartidária (IMD), Hermenegildo Mulhovo, durante a IX Conferência Nacional Religiosa.
Realizada a 28 de Setembro, na cidade da Matola, a conferência decorreu sob o lema “Celebrar a Diversidade Religiosa, promovendo os laços da fraternidade entre os moçambicanos” e contou com a abertura oficial pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo. O encontro reuniu representantes religiosos, instituições públicas e organizações da sociedade civil para debater a liberdade religiosa, a participação dos jovens, a solidariedade perante crises e o Estado de Direito.
Na sua intervenção, Mulhovo destacou a contribuição das confissões religiosas para a paz e a reconciliação nacional, incluindo em momentos de tensão pós-eleitoral. Considerou que a diversidade de crenças fortalece a identidade colectiva quando é acompanhada pelo diálogo, pela inclusão e pelo respeito pelos valores democráticos.
“Não há democracia sem paz, não há democracia sem tranquilidade”, afirmou. Ao relacionar a construção da paz com o fortalecimento da democracia, reiterou o compromisso do IMD de apoiar o contributo das confissões religiosas para o diálogo inclusivo e a reconciliação nas comunidades.
O responsável defendeu uma participação mais ampla das mulheres e dos jovens nos processos de paz. Referiu, em particular, o novo Plano Mulher, Paz e Segurança, cujo lançamento anunciou para breve, e a necessidade de avançar com a agenda Juventude, Paz e Segurança. Sublinhou que a inclusão dos jovens é indispensável para transformar a diversidade religiosa e social em fraternidade e coesão.
Ao abordar o extremismo violento em Cabo Delgado, Mulhovo alertou que o fenómeno não pode ser explicado apenas pela sua dimensão religiosa. Defendeu que a autoridade moral e a presença das confissões religiosas nas comunidades podem contribuir para promover o diálogo inclusivo, a justiça e a reconciliação.
Na abertura oficial, o Presidente da República apelou igualmente ao respeito pela diversidade de crenças e à cooperação em causas de interesse público, preservando a autonomia das confissões religiosas e a laicidade do Estado.
A IX Conferência Nacional Religiosa foi organizada pelo Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, através da Direcção Nacional de Assuntos Religiosos, com a participação de confissões religiosas e a parceria do Instituto para Democracia Multipartidária.











