WhatsApp Image 2026 05 02 at 12.11.42 2A Presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa, o Secretário Permanente do Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos e o Secretário de Estado na Província de Sofala defenderam, na cidade da Beira, o reforço da participação das mulheres nos processos de tomada de decisão, gestão de crises e construção da paz, considerando que a liderança feminina é essencial para responder aos impactos das mudanças climáticas e dos conflitos sociais em Moçambique.

As posições foram apresentadas durante a abertura da II Conferência Internacional de Mulheres Religiosas, Académicas, Políticas e da Sociedade Civil, realizada sob o lema “Fé, Paz, Acção e Resiliência: Fortalecendo a Liderança Feminina em Contextos de Conflitos e Desastres Naturais”, que teve lugar neste sábado e domingo, 2 e 3 de Maio, na Cidade da Beira.

No discurso de abertura, Margarida Talapa afirmou que os desastres naturais representam também desafios sociais e humanos, exigindo respostas inclusivas e sensíveis às necessidades das comunidades afectadas. Segundo defendeu, as mulheres não devem ser vistas apenas como vítimas das calamidades, mas como “agentes de mudança, líderes resilientes e construtoras de soluções”.

A Presidente da Assembleia da República destacou ainda o papel das mulheres religiosas na promoção da solidariedade e coesão social, das académicas na produção de conhecimento científico para prevenção de desastres, e das mulheres políticas na formulação de políticas públicas mais inclusivas. “Investir numa mulher é investir na resiliência das nossas sociedades. Educar uma mulher é educar uma nação”, declarou.

Por sua vez, o Secretário Permanente do Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos (JCR), Tuarique Abdala, sublinhou que Moçambique enfrenta um contexto marcado por cheias, inundações e deslocamentos forçados, situações que afectam sobretudo mulheres e crianças. “Em situações de conflitos, cheias e inundações, elas constituem a maioria dos deslocados, enfrentam maiores riscos de violência baseada no género e são empurradas para condições de pobreza extrema”, afirmou.

Segundo explicou, a conferência pretende criar um espaço de diálogo entre mulheres religiosas, académicas, políticas e da sociedade civil, promovendo respostas inovadoras para fortalecer a resiliência comunitária e a coesão social.

Já o Secretário de Estado na Província de Sofala, Manuel Rodrigues, destacou que os impactos das mudanças climáticas continuam a agravar a vulnerabilidade social e económica das comunidades em várias regiões do país, defendendo a necessidade de transformar o debate em acções concretas de resposta aos desafios climáticos e humanitários.

“A sensibilidade social e a capacidade de liderança comunitária da mulher constituem pilares essenciais na promoção de estratégias resilientes e inclusivas”, afirmou.

Durante os dois dias da conferência, as participantes debatem temas ligados à adaptação às mudanças climáticas, mediação de conflitos, participação política das mulheres e criação de redes regionais de solidariedade e apoio mútuo na África Austral.

O encontro é promovido pelo Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, em parceria com a Assembleia da República e o Instituto para Democracia Multipartidária (IMD), reunindo representantes de instituições públicas, organizações da sociedade civil, líderes religiosas e delegações internacionais da região da SADC.

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