Representantes de organizaçoes da sociedade civil defenderam esta terça-feira, 28 de abril, em Maputo, o uso de plataformas digitais como instrumento para aproximar os cidadãos dos processos de tomada de decisão, aumentar a participação pública e reforçar a transparência na governação. As posições foram apresentadas durante o lançamento da plataforma “Cidadão Participa”, uma iniciativa criada para apoiar o Diálogo Nacional Inclusivo (DNI) e ampliar o envolvimento de jovens, mulheres e outros grupos tradicionalmente afastados dos espaços de decisão.Na abertura do encontro, o director executivo do IMD, Hermenegildo Mulhovo, afirmou que a iniciativa procura responder a um dos principais desafios do actual contexto político: garantir a inclusão de grupos tradicionalmente afastados dos processos políticos e institucionais. “O que nós pretendemos é falar da importância das plataformas digitais, sobretudo para impulsionar a participação massiva dos grupos que são tradicionalmente marginalizados ou colocados à margem dos processos políticos no país”, afirmou.
Segundo Mulhovo, a plataforma representa “uma modernização e criatividade na forma de oferecer canais ao cidadão”, permitindo que os jovens participem sem abandonar os espaços digitais que já fazem parte da sua rotina diária. “Nós queremos estar onde o jovem está, mas sem alterar a sua rotina”, declarou, acrescentando que a ferramenta funciona como uma “ponte de ligação” entre os cidadãos e os processos políticos em curso.
O responsável destacou ainda que o crescimento da governação digital em Moçambique exige também o fortalecimento da cidadania digital, defendendo maior capacidade dos cidadãos para utilizarem os novos mecanismos de participação pública. “Se temos um Governo a apostar na governação digital, a parte correspondente é, basicamente, a cidadania digital”, afirmou, sublinhando que a plataforma poderá futuramente ser usada também em debates públicos e processos legislativos.
Por sua vez, a directora executiva da AMJIGE, Francisca Noronha, considerou que a iniciativa pode representar uma oportunidade histórica para reconquistar a confiança dos jovens nas instituições públicas e transformar a participação política juvenil. “Os jovens hoje passam horas a discutir política no WhatsApp e no Facebook. A questão é saber se será desta vez que vão passar a usar uma plataforma concreta para dizer aquilo que querem para o país”, afirmou.
Noronha destacou que as plataformas digitais já demonstraram o seu impacto na mobilização política dos jovens, sobretudo nos últimos ciclos eleitorais, defendendo que o Estado e as instituições devem reconhecer essa nova realidade social. “Não podemos ignorar o poder das plataformas digitais”, declarou.
A dirigente juvenil sublinhou igualmente a importância de garantir inclusão territorial e social no acesso à plataforma, alertando para as dificuldades enfrentadas por jovens das zonas periféricas e rurais. “É preciso pensar no jovem que está em Panda, em Mucuba, em Namaacha, e que nem sempre tem acesso às mesmas oportunidades digitais”, afirmou.
Para Francisca Noronha, um dos aspectos mais relevantes da plataforma é a possibilidade de reforçar a transparência e a prestação de contas públicas. “Os jovens querem acompanhar, comentar, questionar e perceber como as decisões são tomadas. Esta plataforma pode facilitar isso”, disse. A responsável terminou apelando para que os jovens deixem de ser vistos apenas como “uma sala de espera”, defendendo maior inclusão da juventude nos processos políticos e de governação.
O lançamento da plataforma decorreu durante a mesa-redonda subordinada ao tema “Participação Inclusiva do Cidadão na Era Digital: O Papel das Ferramentas Digitais no Diálogo Nacional”, reunindo representantes do Governo, partidos políticos, sociedade civil, academia e parceiros de cooperação.
A iniciativa é promovida pelo IMD, em parceria com a AMJIGE, Fundação MASC, CIUEM e a organização Decidim de Barcelona, com financiamento da Agência Catalã de Cooperação para o Desenvolvimento e do Governo da Noruega, através da Ajuda Popular da Noruega.











