parceintreco 2026O fortalecimento da sociedade civil, a promoção da participação cidadã e a adopção de abordagens inovadoras para a construção da paz foram apontados como factores essenciais para a consolidação da reconciliação nacional em Moçambique, durante a abertura do Workshop Regional sobre Abordagens Criativas para Promoção da Coesão Social e Reconciliação a Nível Local.

Intervindo na sessão de abertura, a representante da União Europeia, Inês Pestana, defendeu que a construção de uma paz duradoura depende não apenas de entendimentos políticos, mas também do envolvimento activo dos cidadãos e das comunidades nos processos de diálogo e desenvolvimento.

“A paz duradoura não é apenas através de acordos políticos, mas também através da cultura, da participação cidadã, do diálogo, da inclusão das comunidades e do dia-a-dia”, afirmou.

Segundo a representante europeia, a reconciliação nacional continua a ser um desafio que exige investimentos de longo prazo na confiança social e na aproximação entre cidadãos e instituições. Para tal, considerou fundamental criar espaços que promovam a escuta, o diálogo e a inclusão de diferentes segmentos da sociedade.

“A reconciliação é um processo de longo prazo. Exige tempo, escuta, respeito pelas memórias de quem sofreu e também coragem para reconstruir a confiança entre as pessoas”, sublinhou.

Inês Pestana destacou igualmente o papel das organizações da sociedade civil na prevenção de conflitos e na promoção da coesão social, considerando que estas organizações desempenham uma função estratégica ao aproximarem as preocupações das comunidades dos espaços de tomada de decisão.

“As organizações da sociedade civil são também uma ponte essencial entre os cidadãos e as instituições públicas, levando a voz das comunidades para os espaços de decisão, contribuindo para políticas mais inclusivas e ajudando a prevenir novos ciclos de violência”, afirmou.

Por sua vez, o representante da Agência Catalã de Cooperação para o Desenvolvimento, Álvaro García, defendeu a necessidade de reforçar a capacidade de intervenção da sociedade civil num contexto marcado por profundas transformações sociais, políticas e tecnológicas.

O responsável considerou que os actuais desafios exigem que as organizações da sociedade civil encontrem formas mais sustentáveis de actuação e reduzam a sua dependência dos ciclos de financiamento de projectos.

“Os projectos não são uma coisa fechada que se pega e se implementa, mas são uma ferramenta dentro de um processo”, afirmou, defendendo que as organizações devem concentrar-se na sua missão de mobilização social e influência cívica para além dos períodos de financiamento.

Álvaro García alertou igualmente para a importância de fortalecer as plataformas da sociedade civil enquanto espaços de articulação e representação das preocupações dos cidadãos junto das instituições públicas. Na sua perspectiva, estas estruturas podem desempenhar um papel decisivo na promoção da participação democrática e na construção de respostas colectivas para os desafios enfrentados pelas comunidades.

O representante da cooperação catalã destacou ainda que as transformações em curso exigem abordagens criativas capazes de responder às novas formas de participação social e cidadã. Neste contexto, defendeu o recurso a ferramentas digitais e mecanismos inovadores de envolvimento comunitário como forma de ampliar a participação dos cidadãos nos assuntos públicos.

As intervenções dos dois parceiros internacionais convergiram na necessidade de investir no fortalecimento da sociedade civil, na promoção do diálogo entre cidadãos e instituições e na criação de mecanismos inclusivos de participação pública, considerados fundamentais para a consolidação da paz, da reconciliação nacional e da coesão social em Moçambique.

O workshop reúne representantes de organizações da sociedade civil, plataformas provinciais, activistas sociais e iniciativas juvenis de várias províncias do país. A iniciativa é promovida pelo Instituto para Democracia Multipartidária (IMD), através dos programas PROPAZ e Cidadão Participa, em parceria com as Plataformas Provinciais das Organizações da Sociedade Civil, com financiamento da União Europeia e apoio da Agência Catalã de Cooperação para o Desenvolvimento.

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