IMG 5807A paz, a reconciliação nacional e a coesão social foram apontadas como condições indispensáveis para o desenvolvimento sustentável de Moçambique durante o Evento Final do Projecto PROPAZ e Consolidação do Fórum Nacional de Paz e Reconciliação, realizado esta quinta-feira, 9 de julho, em Maputo. O encontro reuniu representantes do Governo, parceiros internacionais, organizações da sociedade civil, líderes comunitários, académicos e beneficiários para apresentar os principais resultados alcançados pelo projecto ao longo dos últimos três anos, partilhar boas práticas e lançar perspectivas para a continuidade das iniciativas de promoção da paz no País.

Na abertura do evento, o Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, afirmou que a paz constitui um dos maiores patrimónios da humanidade e advertiu que o desenvolvimento de Moçambique depende da sua preservação. "A paz constitui um dos maiores patrimónios da humanidade. Sem paz não existe desenvolvimento sustentável, não há estabilidade institucional, nem é possível assegurar a plena realização dos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos."

Segundo o governante, a construção da paz exige um compromisso permanente de toda a sociedade e não se limita aos acordos políticos. "A reconciliação nacional não termina com a assinatura de acordos. Ela constrói-se diariamente através do respeito mútuo, da promoção da justiça, do diálogo permanente, da inclusão social e da criação de oportunidades para todos."

IMG 5783O Ministro destacou ainda o papel desempenhado pelas organizações da sociedade civil, comunidades e parceiros de cooperação na prevenção de conflitos e defendeu que o legado do PROPAZ deve prolongar-se para além do encerramento formal do projecto. "Encorajamos que os resultados alcançados pelo Projecto PROPAZ não se esgotem com o encerramento formal desta iniciativa, mas sirvam de base para novas acções, novas parcerias e novas oportunidades de colaboração em prol da paz e da reconciliação nacional."

Em representação do consórcio implementador, a representante do CISP e Coordenadora do Projecto PROPAZ, Karen Rafael, destacou que o encerramento da iniciativa representa sobretudo a celebração dos resultados concretos alcançados e do legado construído para a paz, a reconciliação e a coesão social.

Segundo explicou, o projecto beneficiou directamente mais de 6.600 pessoas, das quais 56% são mulheres, incluindo organizações da sociedade civil, membros de plataformas provinciais, artistas, estudantes, professores, jovens desportistas, líderes comunitários, ex-combatentes e comunidades afectadas pelo conflito nas províncias de Manica, Sofala e Tete, mantendo igualmente uma abrangência nacional. "O grande diferencial que trouxemos neste projecto é a nossa experiência de demonstrar como a arte e a cultura podem contribuir para a coesão social."

Karen Rafael explicou que o PROPAZ recorreu a metodologias inovadoras de reconciliação, através de exposições PhotoVoice e Body Mapping, Teatro do Oprimido, radionovelas, produções musicais, memoriais, roadshows e narrativas de ex-combatentes, transformando experiências de conflito em instrumentos de diálogo, reconciliação e esperança.

A responsável acrescentou que o projecto fortaleceu clubes da paz nas escolas, desenvolveu guiões de boas práticas para processos de reconciliação, consolidou infra-estruturas locais de paz, apoiou fóruns provinciais e promoveu debates nacionais que reforçaram a articulação entre organizações da sociedade civil, autoridades locais e parceiros internacionais. "Os números são importantes, mas o verdadeiro impacto está nas histórias: jovens que encontraram oportunidades de auto-emprego, mulheres que se tornaram multiplicadoras de boas práticas de prevenção da violência baseada no género, comunidades que hoje dialogam em vez de se dividirem e crianças que passaram a dispor de espaços de escuta e aprendizagem."

Karen Rafael sublinhou igualmente que um dos principais legados da iniciativa será a consolidação do Fórum Nacional de Paz e Reconciliação, concebido para assegurar a continuidade do diálogo entre os diferentes actores nacionais. "O futuro da paz em Moçambique depende da continuidade deste caminho."

IMG 5749O Director Executivo do Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), Hermenegildo Mulhovo, recordou que o PROPAZ nasceu numa fase decisiva do processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR), ressaltando que o verdadeiro desafio sempre foi reconstruir a confiança entre os moçambicanos. "Uma paz duradoura não se constrói apenas com acordos políticos; constrói-se quando as pessoas voltam a olhar umas para as outras como vizinhos, parceiros e membros da mesma família moçambicana."

O Director Executivo do IMD acrescentou que o projecto fortaleceu as infra-estruturas locais de paz, mobilizou organizações da sociedade civil e lançou as bases do Fórum Nacional de Paz e Reconciliação, concebido como uma plataforma permanente de diálogo, produção de conhecimento e articulação entre diferentes actores nacionais. "O encerramento do Projecto PROPAZ não representa o fim desta caminhada. Pelo contrário, representa o início de uma nova etapa."

Projecto PROPAZ – Cultura para Promoção da Paz, Reconciliação e Coesão Social é co-financiado pela União Europeia e implementado por um consórcio liderado pelo CISP – Sviluppo dei Popoli, em parceria com o Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD)a LeMuSiCa – Levante-se Mulher e Siga o seu Caminho e a Associação IVERCA – Cultura, Turismo e Meio Ambiente. Ao longo dos últimos três anos, a iniciativa promoveu actividades culturais, diálogo comunitário, fortalecimento das organizações da sociedade civil e mecanismos locais de prevenção e transformação de conflitos nas províncias de Sofala, Manica e Tete, contribuindo igualmente para a consolidação do Fórum Nacional de Paz e Reconciliação como um espaço permanente de promoção da paz, reconciliação nacional e coesão social. 

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