O Director Executivo do Instituto para a Multipartidária (IMD) defendeu esta posição na sessão de abertura do Expert Meeting sobre Reconciliação e Unidade Nacional, realizado sob o lema “Repensar a Reconciliação e Unidade Nacional em Moçambique – Lições do Passado e Caminhos para o Futuro”, que teve lugar nesta quinta-feira, 7 de maio, em Maputo.
O encontro reuniu cerca de 70 especialistas, membros da Comissão Técnica para o Diálogo Nacional Inclusivo (COTE), representantes do Governo, sociedade civil, academia, juventude, mulheres, líderes religiosos e parceiros de cooperação, com o objectivo de reflectir sobre os desafios e perspectivas da reconciliação nacional em Moçambique.
Segundo Mulhovo, Moçambique alcançou importantes marcos de paz ao longo da sua história, mas continua confrontado com o desafio de transformar acordos políticos em reconciliação social efectiva, inclusiva e sustentável.
“O modelo de ‘reconciliação pelo silêncio’, adoptado após o Acordo Geral de Paz de 1992, contribuiu para evitar o retorno imediato à guerra, mas deixou em aberto questões ligadas à verdade, memória, justiça, reparação e confiança institucional”, afirmou.
O Director Executivo do IMD considerou ainda que os recentes episódios de tensão política e social demonstram a persistência de fragilidades estruturais profundas no país, apontando desigualdades regionais, exclusão socioeconómica, desemprego juvenil e erosão da confiança entre cidadãos e instituições como alguns dos principais desafios.
Mulhovo destacou igualmente que a insurgência em Cabo Delgado evidencia a necessidade de repensar os mecanismos nacionais de paz e reconciliação, incorporando factores ligados à marginalização social e económica.
O Expert Meeting sobre Reconciliação e Unidade Nacional foi organizado pelo Instituto para Democracia Multipartidária (IMD), no âmbito do programa PRO-PAZ – Cultura para Promoção da Paz, Reconciliação e Coesão Social e do programa Infraestruturas de Paz, em coordenação com a COTE e o Grupo de Trabalho sobre Reconciliação e Unidade Nacional do Diálogo Nacional Inclusivo. A iniciativa contou com o apoio e cofinanciamento da União Europeia e da Open Society Foundations.











