O Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD) defendeu, esta quarta-feira, em Maputo, que a reconciliação em Moçambique deve ser encarada como um processo profundo, colectivo e de longo prazo, que exige competências técnicas, sensibilidade política e compromisso ético por parte de todos os actores envolvidos no Diálogo Nacional Inclusivo.
A posição foi expressa pelo Director Executivo do IMD, Hermenegildo Mulhovo, durante a sessão de abertura do workshop subordinado ao tema “Reforço de Capacidades para o Diálogo Nacional Inclusivo, Resolução de Conflitos e Reconciliação em Moçambique”, que decorre nos dias 25 e 26 de Fevereiro, na cidade de Maputo.
Na sua intervenção, Mulhovo sublinhou que a iniciativa visa reforçar as capacidades dos membros da Comissão Técnica (COTE), dos Grupos de Trabalho e da sociedade civil sobre Reconciliação e Unidade Nacional, de modo a que possam contribuir de forma mais eficaz para processos “transparentes, inclusivos e sensíveis aos conflitos” no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo em curso no país.
“A reconciliação não pode ser entendida como um acto pontual ou apenas institucional. Ela é, acima de tudo, um processo profundo, gradual e colectivo, que exige competências técnicas, sensibilidade política, cultural, ética e compromisso colectivo”, afirmou o Director Executivo do IMD.
Segundo Mulhovo, o workshop reveste-se de particular importância por se realizar num momento decisivo da história política do país, marcado por desafios relacionados com a fragilização do tecido social, o aprofundamento de desconfianças e a persistência de exclusões resultantes de conflitos passados.
“Esta formação responde a um desafio central do nosso tempo: como transformar um passado marcado por conflitos num futuro de convivência pacífica, inclusiva e sustentável em Moçambique”, destacou.
O responsável do IMD realçou ainda que a formação cria um espaço de aprendizagem partilhada entre diferentes actores, permitindo aprofundar a compreensão das múltiplas dimensões da reconciliação, incluindo as vertentes social, económica, política, cultural e espiritual, bem como das metodologias mais adequadas para intervir em contextos sensíveis ao conflito. Na ocasião, enfatizou a importância do alinhamento e da coerência entre os diversos intervenientes no processo.
“A diversidade de actores é uma riqueza, mas só se traduz em impacto quando existe uma visão comum, princípios partilhados e uma linguagem técnica harmonizada”, frisou Mulhovo, realçando o valor do conhecimento local e da cultura como pilares fundamentais para a construção de uma paz duradoura, defendendo a valorização das práticas culturais, das lideranças comunitárias e das experiências das vítimas, mulheres, jovens e ex-combatentes.
“Ao reconhecer soluções enraizadas nas realidades vividas, reforçamos a legitimidade e a sustentabilidade das iniciativas de reconciliação”, acrescentou.
Na sua intervenção, Mulhovo considerou ainda que o reforço das capacidades técnicas e éticas dos actores envolvidos contribui para aumentar a credibilidade do próprio processo de diálogo nacional. “Actores mais preparados, informados e eticamente comprometidos contribuem para processos mais inclusivos, transparentes e orientados para resultados concretos, capazes de reconstruir a confiança dos cidadãos nas instituições e entre si”, afirmou.
O workshop é promovido pelo IMD, no âmbito dos programas ProPaz e ProCívico, contando com o apoio da União Europeia, da Embaixada da Finlândia, da Embaixada da Suécia e da Folke Bernadotte Academy (FBA), parceiros que, segundo Mulhovo, têm desempenhado um papel determinante no reforço técnico e financeiro das iniciativas de promoção da paz e reconciliação em Moçambique.











